Fã Clube Oficial Yves Passarell




Yves no Capital Inicial

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Jornal O Globo - Outubro/2002

Por Bernardo Araujo

Rock não dá camisa a ninguém, e literatura juvenil muito menos. Bom mesmo é uma profissão sólida, como a advocacia, por exemplo. Pois o paulistano Yves Passarell, de 33 anos, experimentou as três atividades e quem saiu perdendo, de goleada, foram os ternos e as visitas ao fórum. Depois de começar, ainda adolescente, na Viper, banda de heavy metal de boa repercussão no Brasil e em países como o Japão e a Alemanha, hoje Yves é guitarrista do Capital Inicial. Hán três anos — antes de entrar na banda brasiliense, entre um retorno do Viper e biscates no mundo dos jingles — ele estreou na literatura,com o livro “Temporada na estrada” (Gryphus). Enquanto militava na Viper, Yves encontrou tempo para cursar direito, profissão que quase não exerceu.

— Queria contar para as pessoas algumas das minhas experiências na
Viper, uma banda brasileira que gravava discos na Alemanha e tocava para multidões no Japão — lembra ele, que tomou gosto pela coisa e este ano estreou na ficção com “Os últimos dias perfeitos”, na mesma editora.

O livro é narrado em primeira pessoa por Lucas, um jovem de classe
média, sem muita perspectiva na vida, que acaba sendo convidado para uma festa, onde fica sabendo que milhões de reais sujos estão em uma conta bancária aberta em seu nome.

— É um livro pessimista, que mostra como todo mundo pode ser
corrompido — diz o autor. — Até pensei em escrever uma continuação,mas foi melhor deixar daquele jeito.

Yves levou cerca de seis meses para escrever o livro, que tem
descrições de bairros de São Paulo, incluindo a periferia e lugares violentos.

— Gosto da literatura urbana, passada num mundo próximo àquele em que
a gente vive — diz. — Nesse gênero, gosto dos livros da Patrícia Melo e do Marcelo Rubens Paiva.

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Revista Guitar Player - Julho/2002

ENTREVISTA COM YVES PASSARELL

Peso no Capital Inicial

David Hepner

Após lançar um disco acústico de grande sucesso, o Capital Inicial volta às guitarras em Rosas e Vinho Tinto ( Abril Music). A grande novidade do albúm é o ex-Viper Yves Passarell, que assumiu as seis cordas elétricas após a saída do guitarrista original da banda, Loro Jones, que deixou a estrada para ficar mais tempo com sua família. a questão era se Yves, que tocava em um grupo de heavy metal, se encaixaria ao Capital, que tem mais de 20 anos de existência e um estilo característico dentro do rock brasileiro.A dúvida se desfaz com o decorrer das 14 faixas do albúm.Passarell se sai muito bem tocando o pop rock da banda e emprega com inteligência distorções fortes, como nas músicas 220 Volts e Rosas e Vinho Tinto.O entrosamento com Dinho Ouro Preto ( vocais), Flavio Lemos ( Baixo) e Fê Lemos ( Bateria) foi perfeito.

"Não mudei meu jeito para tocar no Capital Inicial ", diz Yves."Sempre fui guitarrista de rock. As influências que tive foram Brian May, Peter Franpton, Ritchie Blackmore, Brian Setzer. É essa a minha formação. Toquei no Viper, um grupo de rock mais pesados, e dentro daquele peso eu tocava o que aprendi como guitarrista. Por isso não foi difícil encaixar meu estilo no Capital. Além disso, acompanho a carreira da banda faz tempo - somos amigos a 12 anos."

Segundo Yves, ele teve liberdade para opinar e criar as partes de guitarras. Muitas delas apareceram no estúdio. "O que me ajudou muito foi ter participador da fase de pré-produção. Vi o lance todo nascendo. Depois da gravação do baixo e da bateria, ouvi as faixas várias vezes e pude acrescentar novas idéias de guitarra. Fui pensando em que momento entraria mais distorção e quais faixas seriam mais leves.Nesse disco faço muitas frases no meio das músicas - detalhes que deixam uma marca. Criei alguns solos na hora, como os de Olhos Vermelhos e Algum Dia", conta.

Os solos, aliáis,estão mais melódicos do que os da época do Viper."Procurei diminuir o número de notas por causa do estilo da músicas. Não teria a ver um solo como os que eu fazia no Viper.Sempre gostei de guitarristas melódicos e, com o passar do tempo, fui usando menos notas em meus solos.Sou a favor da música, e não da guitarra como centro de tudo", explica Passarell.

Para registrar Rosas e Vinho Tinto,as guitarras mais utilizadas por Yves foram suas Fender Stratocaster Jeff Beck e Gibson Les Paul Custom.Ele usou também uma Aria Pro II Fullertone e uma Fender Telecaster de 1962, emprestada por um amigo.

O guitarrista empregou simulações do Line 6 Pod, "que tem vários timbres e é verátil no estúdio", e um Marshall JCM900."Sou um defensor dos Marshall. Adoro o JCM900", afirma Yves. " O Marcelo Sussekind, que produziu o disco, tem um esquema legal de gravação: ele registra uma guitarra limpa direto e mais outras duas, uma ligada amp e outra no Pod.Em geral, a guitarra que vai para o disco é a que ouço durante a gravação.A guitarra limpa é uma 'Curinga' que pode entrar ou não na música", acrescenta.

Do Pod ele usou sons limpos e sujos variados. "A palavra que uso para definir as guitarras deste disco é versatilidade. Em cada faixa tive de experimentar sonoridades diferentes", salienta. Yves não usou muitos pedais para buscar os sons que procurava - ele explorou apenas um wah-wah CryBaby em À Sua Maneira e um Boss Digital Delay em Inocente. "Não gosto de usar muitos efeitos. Prefiro ligar direto no amp", diz Passarell."È Claro que em certos momentos entra um wah-wah, um eco ou um reverb, mas o essencial é um timbre limpo, um sujo e um meio-termo. Já fui um cara de utilizar milhões de equipamentos em shows,, era uma espécie de 'técnico da Nasa' para mexer nos pedais e acabava não curtindo a apresentação. Hoje em dia procuro aliar bom som e praticidade."

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Site Ceara Music - 08/05/2002

Confira a entrevista com Yves Passarell, guitarrista do Capital Inicial
04/07/2002 18:58

O Capital Inicial está confirmado no Ceara Music 2002 e vem com um novo guitarrista para o festival. Yves Passarell entrou este ano no lugar de Loro Jones, mas tudo aconteceu sem traumas. Yves começou a tocar guitarra aos 14 anos e deve muito a sua mãe, professor de música. Outro membro da família importante para a carreira do guitarrista é o irmão mais velho, Pit Passarell. Com ele, formou a banda Viper em 1985

. Muito tempo se passou e Yves vai estar em outubro no Ceara Music, mas antes deu uma entrevista exclusiva para a gente.

Como surgiu o convite para tocar no capital?

Eu conheço o Capital há muito tempo, há uns 12 anos. Quando o Loro saiu, eles me convidaram para entrar na banda. Mas não teve nenhum problema, eu sou amigo do Loro, foi na boa.

Você já era fã da banda?

Sempre fui e agora que estou nela sou ainda mais. (risos)

A guitarra sempre foi sua paixão?

Sempre foi minha paixão. Comecei a tocar guitarra com uns 14 anos. Com certeza tocar guitarra está no sangue e nunca quero deixar de fazer isso.

Você contou com o apoio da sua mãe e pegou um pouco do amor pela música através dela, mas quando você resolveu viver disso não teve nenhuma interferência?

Não, cada um é cada um. Meu pai é médico - uma profissão que não tem nada a ver com música - e não gostou muito no começo. Ele ficou apreensivo e se perguntava se ia dar certo o que eu queria seguir. Mas depois não teve problema e o fato de minha mãe ser professor de música ajudou muito.

É mais fácil tocar com um irmão ou com músicos que não são da família?

É a mesma coisa para mim. Eu gosto de tocar com o meu irmão. É muito legal mesmo, sempre gostei. Mas você tem que tocar seja com quem for. Tocar com um irmão é bom por um lado, mas é claro que a gente briga mais. (risos)

Você teve experiência de tocar em vários lugares do mundo na época do Viper, quais foram as cidades mais legais?

Gostei de Tóquio porque tinha um público diferente e o show foi legal. Los Angeles é cidade com praia, então eu gosto. (riso) Além de Viena (Aústria), que tem uma cena bem musical.

Qual foi a melhor experiência que você teve numa dessas viagens?

A chance de conhecer outros músicos é a melhor coisa. Onde tem música existe troca, e isso só faz a gente aprender cada vez mais.

Quais são suas influências? O que você gosta de ouvir?

Minha principal influência é Jimi Hendrix. Gosto de escutar o CPM 22, um grupo novo que tem um som muito bom. Curto também Red Hot Chilli Peppers e o Rappa. Bem legal o Rappa.

Além de tocar, você lançou um livro. De onde surgiu o interesse de ser escritor?

Eu gosto de escrever, não usei 'ghost writer'. (riso) O 'Tempo de Estrada' conta um pouco do dia-a-dia do músico. Em agosto estarei lançando um novo livro, mas agora vai ser uma ficção.

Como vai ser tocar em Fortaleza, no Ceara Music?

Vai ser muito legal. Adoro o Ceará. Já toquei em Fortaleza na época do Viper, em 1993. Voltar para o Ceara Music vai ser maravilhoso.

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Revista Zero - Junho/2002

DO CEU AO INFERNO COM O CAPITAL INICIAL

 

 

Segunda-feira de manhã. Os músicos começam a chegar ao estúdio para a sessão de fotos que ilustram as 14 páginas de matéria e a capa desta edição. O primeiro é o novo guitarrista, Yves Passarell, recém-contratado ao Viper, pontualmente às 10h30. Minutos depois, o baixista Flávio Lemos. Na sequência, o baterista Fê Lemos,acompanhado do vocalista da banda.

- Dinho. Como é que vai?, apresenta-se.

Se existe uma pessoa que não precisa se apresentar no Brasil de 2002 é o vocalista do Capital inicial, rosto da maior banda do país atualmente. Nos últimos dois anos, desde o lançamento do Acústico, a banda superou a marca de 300 shows. No mesmo período,apenas uma banda de rock vendeu tanto quanto eles, a extinta Legião Urbana, com seu desplugado, que em junho de 2000 alcançou a marca milionária.

Mas o gesto de estender a mão de Dinho é emblemático, pois o quadro acima é um recorte breve de uma banda prestes a completar duas décadas de carreira.

Aperte o botão de stop deste filme e retorne seis, sete anos, até o nada distante 1995. O retrato do Capital Inicial é semelhante ao de uma Cabul pós-11 de setembro. Os irmãos Fê e Flávio, ao lado do guitarrista Loro Jones, se revezam pra soprar as brasas do incêndio após a saída de Dinho e manter a chama da banda com um novo vocalista, Murilo Lima. O fôlego resiste dois anos, e logo

depois Loro encosta a guitarra num canto e escancara a falência do grupo pra evitar vexame maior.

Dinho, que abandonara o barco em 1993, segura a corda do outro lado,compondo o cabo-de-guerra do legado do grupo. E vive a fase "verde" (em referência à insalubre cor que apresentava),

anônimo,quando sistematicamente troca o dia por noitadas, engole pílulas de ecstasy como se fossem drops pra aguentar o tranco, faz bicos como tradutor e vira cover de sí próprio em apresentações com bandas amadoras dos velhos hits do Capital.

Hoje, ao iniciar um novo capítulo com o 10º album da carreira, o bom Rosas e Vinho Tinto (leia análise ao final do texto), os remanescentes da formação original sabem que ser a única banda de

Rock entre os artistas que mais vendem no Brasil, como Roberto Carlos, KLB, Sandy & Júnior e Bruno & Marrone, não quer dizer muito. Eles estiveram nos dois extremos e a batida histórica

da fênix, renascida das cinzas, encaixa-se perfeitamente na trajetória da banda.

Assim, quando Dinho se apresenta, está sendo leal ao que prega.

Lembra, por exemplo, os passos de um ex-alcóolatra. No caso, o que evita é o primeiro gole dos confetes.

"Só nos faz bem hoje ter passado por isso. Muda sua atitude em relação à música. É bom você ter modéstia, pois amanhã pode não estar aqui. A gente vê nossa carreira com outros olhos, com mais

cuidado.

E principalmente a atitude de leviandade com o próprio material, de aprender a ter muito cuidado com o que se faz. Não se pode tratar o trabalho como uma coisa à toa, pois se você pisar na bola vai ser esquecido. Isso acaba criando um círculo virtuoso.

Faz com que você respeite mais a sua música, o que faz com que ela seja melhor, seja mais respeitada pela platéia, venda mais e isso vai aumentando a qualidade do que você faz. Se o que está nos acontecendo agora tivesse acontecido há dez anos, estaríamos totalmente embevecidos. Tipo: "Foda-se tudo", avalia o vocalista.

O sumário de Dinho foi proferido no segundo encontro da banda com a ZERO.

No total, foram três, num total de quase sete horas divididas entre mais de uma centena de cliques e quatro fitas-cassete de conversa.

Dinho, Fê, Flávio e Yves não evitaram nenhum assunto, nem mesmo os mais delicados, como abuso de drogas, bebedeiras e brigas, e passaram a limpo os últimos 25 anos, 20 destes tocando.

 

O ano em que o Punk explodiu

A quinta-feira é dedicada à imprensa. Numa sala ao fundo da gravadora Abril Music, em São Paulo, a banda aguarda para aquela que seria a 33ª entrevista do dia. A minha é marcada por último, já que a idéia é que seja mais prolongada.

Num sofá de três lugares, os irmãos Fê e Flávio, a cozinha da banda, pedem pra ver os contatos das fotos que foram tiradas três dias antes. Yves, sentado em uma poltrona lateral, reclama da falta de tempo para jogar futebol. “Vai ter Rock e Gol (campeonato entre artistas promovido pela MTV), e a gente precisa treinar.” Dinho não está na sala – ele é solicitado pra fazer fotos na área externa da casa. Mas o começo da história é justamente com os irmãos que dividem o sofá.

Brasília dos anos 70 era apenas uma cidade do interior de Goiás feita capital numa tentativa de se povoar aquela região do país. Muitos do personagens principais da história que traria fama de usina de roqueiros à cidade nem moravam lá à ocasião. Em 1977, ano em que o punk explodiu, Fê e Flávio moravam próximo ao olho do furacão, em uma vila de mil habitantes no interior da Inglaterra, nas cercanias de Leicester, a 200 km de Londres.

Enquanto as opções da rebeldia juvenil brasileira se limitavam a Raul Seixas, 14 Bis, Terço e Made in Brazil, Fê e Flávio compravam ingressos para assistir aos shows das bandas-nata do movimento que ganhava força – The Clash, Buzzcocks, The Stranglers, The Jam, The Damned. “Eu fui o primeiro punk da escola”, orgulha-se Fê, que entre 22h e meia-noite, religiosamente, ouvia o programa do decano DJ John Peel

Dinho, vestindo uma apropriada camisa dos New York Dolls, a esta altura já juntara-se ao grupo na entrevista. Na época de que tratamos, ele morava em Genebra, na Suíça, e circulava com mais desenvoltura pela praia do hard rock. “Lá eu vi Uriah Heep, Status Quo, Peter Gabriel, Motörhead e Tubes no auge. Legal pra caralho. Eu voltei uuuuuaaaaaahhhhh”. Quem ouviu com detalhes o que significava o uuuuuaaaaaahhhhh era a turma de amigos que deixara em Brasília, o pessoal da 104 Sul (superquadra onde moravam os diplomatas). Jovens que em breve fariam parte da seleção brasileira de rock, como Dado Villa-Lobos, Herbert Vianna, Bi Ribeiro.

 

Como Seattle

Falar sobre a cena que se formou naquele final dos 70 ilumina o rosto dos músicos. É com orgulho que eles traçam um paralelo à que se formou no final dos 80 em Seattle, nos EUA. O primeiro ingrediente da receita foi exposto acima: numa época em que informações não estavam ao alcance de um mouse, o privilégio que esses jovens de Brasília tinham em ver a história musical acontecer in loco foi essencial. Mas a combustão só foi possível graças ao famoso “nada mais o que fazer”, que garantiu o surgimento do grunge no extremo Noroeste dos EUA.

“É semelhante a Seattle principalmente por não ter se desenvolvido no pólo.  [Brasília] Era longe de São Paulo e Rio, que representavam, vamos dizer, Nova York e Los Angeles. As pessoas em São Paulo e no Rio tinham acesso aos discos, mas por que em Brasília as pessoas se sentiram compelidas a montar bandas e sair tocando? Acho que isso, sim, está ligado ao tédio”, compara Dinho.

A Escola Americana da cidade foi o primeiro catalisador da cena que se formava. Lá, em 1978, estudavam Fê, Geraldo, aka Geruza (irmão de Loro), Philippe Seabra, André Muller, André Pretórius e Renato Russo. “O Renato tocava baixo, e tudo o que ele queria na vida era formar uma banda. Em todas as festinhas que ia, levava chocalho, pandeiro e violão pra organizar grupos”, conta Fê.

Naquela gangue, Renato viu a chance de levar a

diante o projeto. Pretórius, filho do embaixador da África do Sul, era guitarrista, e Fê, baterista. No mesmo ano, formam o grupo que dá origem a tudo, o Aborto Elétrico. Mas durante um bom tempo a única música do repertório da banda é uma cover dos Ramones — “Now I Wanna Sniff Some Glue”. Apesar do reduzidíssimo set-list, os seguidores dos ensaios, Flávio, Gutje, Ico Ouro Preto e Geruza, se empolgam e um mês depois também começam a tocar juntos sob o nome Blitx 64.

São os primeiros punks da cidade, e, como punks legítimos, não sabem muito bem o que fazer com os instrumentos.

“No começo, eram só covers dos Ramones, Sex Pistols e alguns riffs que ficávamos repetindo. Não tinha vocal. O Renato começa a cantar em 80, quando o Pretórius vai servir o exército na África”, narra Fê.

Pretórius, que morreria em 1986, vítima de overdose de heroína, ainda participa do primeiro show da banda, em 11 de janeiro de 80, mas a história do grupo dá uma guinada quando Renato ganha confiança e começa a compor. Aí surgem “Que País É Esse?”, “Fátima”, “Veraneio Vascaína”, “Música Urbana”, “Tédio” e “Geração Coca-Cola”.

 

Cafofo

O grupo, ao lado da Blitx 64, vira residente do Cafofo, um bar onde durante dois meses os conjuntos se apresentavam no porão. Um dos curiosos que vão a esses shows é Dinho.

“Os diplomatas [a turma de Dinho] descobrem a gente e a gente descobre eles”, conta Fê.

Até que comecem a se apresentar em espaços maiores, como teatros e ginásios de colégios, corre mais um ano. Nesse meio tempo, a “cena” ganha novas bandas, como XXX, Arte no Escuro, Detrito Federal e Plebe Rude.

Na verdade, era mais fácil encontrar um alienígena zanzando pelas superquadras do que um jovem que não fosse membro de alguma banda. Dinho une-se ao Dado e o Reino Animal. “Que teve a quantidade histórica de um show. E não tinha vocal. A primeira banda punk instrumental da história, e com teclados”, diverte-se.

A entrevista ganha tom de conversa saudosista de bar. Os três membros originais começam a puxar histórias, como a adesão à turma daquele que viria a ser o baterista da Legião.

 “O [Marcelo] Bonfá substituiu o Gutje na Blitx 64. Ele era conhecido como ‘pilha fraca’. Ia cansando no meio da música, o braço ia ficando duro e diminuía a velocidade”, lembra Fê.

“O Loro e o Geruza viravam pra trás e falavam: ‘filho da puta, toca direito essa porra’”, completa Flávio.

Mas a pá de cal no primeiro conjunto punk de Brasília quem joga é Fê. Durante uma apresentação comemorativa do primeiro ano da morte de John Lennon, em uma feira de música, o baterista encana no meio do show que o vocalista não está nem aí, e taca uma baqueta na cabeça de Renato.

“Ele foi embora, puto, e eu vi a cagada que tinha feito. Fui na casa dele, ficou tudo bem. Mas o Aborto já tinha perdido o gás.”

 

Religião Urbana e Capital

Férias de final de ano. Fê e Flávio viajam. Renato, que fica em Brasília, entra numa viagem de bardo, empunha um violão Gianinni e começa a se apresentar como “Trovador Solitário”. As pessoas aprovam, ele sente firmeza e ainda faz um último show com o Aborto Elétrico antes de formar a Legião Urbana com Bonfá. Até aí havia um legado de músicas do Aborto a ser dividido.

“Demorou pra [Fê e Flávio] assumirem, pois num primeiro momento não queriam tocar as músicas do Aborto”, conta Dinho.

Os irmãos agregam Loro ao novo projeto e chamam Heloísa pra cantar. Ninguém consegue explicar o porquê da aquisição.

“A gente ensaiava com ela e ninguém ouvia porra nenhuma. Parecia um puta som. Daí fizemos um show produzido e tal. Os amigos levaram o gravador. Quando a gente ouviu causou uma crise. Juntou o Loro, o Fê e eu e falamos: ‘Isso não dá. Precisamos falar com ela’”, diz Flávio. Falar, no caso, foi apontar a direção da porta da rua.

“Aí fizeram uma audição em que o único candidato era eu. A prova foi ‘Psicopata’”, lembra Dinho.

Um mês depois, o vocalista é testado no palco da concha acústica da Universidade de Brasília, à saída do vestibular de 1983, junto de uma banda batizada em antítese à Plebe Rude, a Elite Sofisticada.

“O Renato [Russo] foi assistir. Perguntamos o que tinha achado e ele, que não gostava de elogiar coisas boas, disse:

– A Elite Sofisticada foi do caralho. Muito bom.

– E o que você achou da gente, Renato?.

A única coisa que ele foi capaz de falar foi:

– O lugar do Dinho é o palco”, relata Fê.

 

Em São Paulo

O segundo show da banda foi no Circo Voador, no Rio, em julho de 83. Eles fechavam a noite, que tinha a Legião Urbana e Lobão e os Ronaldos.

Headliners de cara?

“Que nada. A gente tocava às cinco da manhã, o pior horário”, exime-se Dinho.

A apresentação rende. O colunista Jamari França, do Jornal do Brasil, decreta que Brasília é o novo celeiro do rock brasileiro.

“Isso foi o nosso diploma, pois em Brasília todo mundo cagava um monte. Se na capital artística do país um crítico como ele tinha falado que é bom, então é bom. A gente usa esse texto em todos os releases”, afirma Flávio. “Até hoje”, brinca Dinho.

Nessa “excursão nacional”, a terceira parada é o Sesc Pompéia, em São Paulo, numa noite com a nata do rock paulistano: Titãs, Ira!, Inocentes, Voluntários da Pátria e Ultraje a Rigor. Para criar um lance mais abrangente convidam uma banda do Rio, Brilho, e o Capital, de Brasília. Fé, Flávio e Dinho se mostram muito mais à vontade em elogiar os roqueiros paulistanos do que os conterrâneos.

“O Ira! era do caralho. A melhor banda de São Paulo de longe”, concorda Dinho.

“Vem o Ira! e tá lá o Edgard [Scandurra], que já era um guitarrista impressionante. Daí, Voluntários da Pátria e tá lá o Edgard na guitarra. Vem o Ultraje e tá lá o Edgar. Daí chega uma hora do show que a gente olha e tá o Edgard na bateria. A gente fala: ‘quem é esse cara?’” (risos), completa Flávio.

Nessa noite eles percebem também a maior identidade com o rock que era feito em São Paulo.

“A gente achava que o Rio era o túmulo do rock. Barão [Vermelho] era Stones, coisa do passado, datado; Blitz era rock pero no mucho, mais performático. A gente era muito cheio de preconceito. Tudo o que não era pós-punk a gente descartava”, afirma Dinho.

À ocasião a divisão de estilos era bem definida também na cena brasiliense. Os músicos estavam aprendendo a dominar melhor os instrumentos e não precisavam se garantir tão somente nos três acordes. A única a seguir colocando fichas no punk foi a Plebe Rude. A Legião já se tornara mais lírica, e o Capital soava diferente, já que o guitarrista Loro não gostava de distorção. E a referência já não era mais o punk tradicional, mas bandas como Talking Heads e Siouxie and the Banshees.

Dentro desse processo de segmentação, a “turma” perde o controle. O que começara com sete, oito pessoas, já havia se transformado num exército de umas 200. As rusgas também são aparentes. Amigos, amigos, negócios à parte.

“Quando teve o primeiro show das bandas de Brasília fora da cidade, da Plebe e Legião, em Patos de Minas [MG], eu fiquei puto da vida. Tipo: ‘fomos traídos’”, confessa Fê.

“Teve uma época em que as gravadoras começaram a ligar pras bandas de lá. Era um período em que a gente ficava direto na casa do Fê. Um dia a gente não estava e alguém liga dizendo que é da CBS [atual Sony]: ‘Queremos contratar o Capital’. E a gente não estava. Você imagina: a gente ficou meses ao lado do telefone esperando, e até hoje não descobriu exatamente quem foi, mas era alguém da Plebe Rude”, relata Dinho, rindo.

Se eles sentem que rola inveja com o sucesso atual alcançado pelo Capital?

“Eles devem achar que a gente não merece. Mas isso não significa nada, porque se fossem eles a gente também acharia que não mereceriam”, diverte-se Fê.

 

Sodoma e Gomorra

Chega uma hora em que a cidade fica pequena pra tantas bandas e os garotos começam a querer viver a saga dos heróis. A primeira retirante é a Legião, que deixa Brasília em 1984 pra tentar conquistar o Rio. A Plebe Rude segue o mesmo caminho. O Capital Inicial permanece mais um tempo na cidade, período em que gravam a primeira demo-tape, com “Leve Desespero”, “Descendo o Rio Nilo” e “Prova”.

Os ensaios são diários. Na mesma época o pai de Dinho, casado com a mãe de Dado Villa-Lobos, deixa a cidade. Os dois meio-irmãos passam a dividir um apartamento com Tavo (Luís Otávio, irmão mais velho de Dado) e Pedro Ribeiro, mano de Bi, dos Paralamas. É a época em que começam a pegar mais pesado nas drogas.

“Antes era só maconha, ácido e cogumelo. No começo mesmo era só maconha e álcool. Benzina também. Tinha até uma letra do Renato [Russo]: ‘Não tenho grana nem pra perna [20 cruzeiros] nem pra quina [50 cruzeiros] / Só tenho trinta mangos e vou comprar benzina’”, lembra Dinho.

A festa da colheita começava com os primeiros raios de sol logo após a chuva. A turma em peso matava aula e ia pros pastos da cidade cavoucar merda de boi zebu atrás de  cogumelos. À noite, ninguém chegava de mãos abanando nas festinhas. Tinha convidado que levava garrafões de vinho Sangue de Boi, coisa de cinco litros, lotado de chá alucinógeno.

“Quando a gente foi morar sozinho virou Sodoma e Gomorra. Os pais foram embora, liberou geral. E era o apogeu do consumo de drogas em Brasília. Foi a época em que a gente descobriu cocaína. Nossa Senhora, naquele apartamento...”, leva as mãos à cabeça o vocalista.

No final de 84 a banda assina com a CBS (a mesma do suposto telefonema da Plebe) e gravam o primeiro compacto, Descendo o Rio Nilo/Leve Desespero. Os músicos se juntam, fazem as contas e chegam à conclusão de que armando ao menos um show por mês conseguiriam se sustentar fora de Brasília. Juntam as trouxas e se mudam para o bairro da Bela Vista, próximo ao centro de São Paulo, e logo o compacto é lançado.

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 “Só que o que tocava na época era um som tipo Metrô. Ou seja: existia um formato de rock que estava vendendo, e a gente não estava dentro desse formato. O single não estoura e a gente é congelado lá dentro”, narra Fê.

“1985 foi uma desgraça”, conclui o vocalista.

A situação entre banda e gravadora logo converte para uma guerra de picuinhas. Executivos começam a reclamar dos tênis que os músicos usam em programas de TV. A banda, que ensaiava no porão da casa de Dinho, na Rua Japurá, segundo o próprio “uma podridão, tudo apodrecia lá dentro”, tenta gravar, mas o material é sistematicamente recusado. Eles passam o ano inteiro sem coragem para romper o contrato, até que a Polygram acena com uma oferta.

“A foto da assinatura do contrato é no porão”, lembra o vocalista.

 

Música urbana e independência

Só que o mercado é confuso. Quem está no topo é Marcelo Nova com seu Camisa de Vênus. Passada a febre new-wave e chegado o boom de “Eu Não Matei Joana D’Arc” e “Bete Morreu”, ninguém sabe de onde virá o próximo estouro. Nem mesmo se haverá um próximo estouro. Assim, os empresários da Polygram coçam a cabeça, arriscam umas projeções e dizem que se o disco do Capital, chamado simplesmente Capital Inicial, vender umas 40 mil cópias está mais que bom. Mas o álbum se mostra um bilhete premiado e em três meses vende 220 mil cópias.

“O disco é tosco, mal cantado, mas eu gosto. A gente era moleque, eu tinha 20 anos. Hoje eu vejo que as composições são boas e o disco é autêntico, mas a execução e a produção são os grandes empecilhos. Apesar de não sabermos tocar a gente tira um som, soa como uma banda”, avalia Dinho.

A gravadora mais uma vez dá sorte, escolhendo “Música Urbana” como a canção de trabalho, à revelia dos músicos, e esta estoura. Só que se o trabalho era bem feito pelo pessoal da Polygram, internamente a estrutura é amadora – a banda ainda era empresariada na base da brodagem. Acabam fazendo poucos shows e não aproveitam o potencial de crescimento.

 “A gente não sabia nosso tamanho e não ganhava grana. Fazia quatro shows por mês, ganhava pra sobreviver e estava bom”, conta Flávio.

O contrato previa um disco por ano. Claro que diante do sucesso do debute eles poderiam renegociar e protelar um pouco o lançamento do álbum seguinte, mas a idéia é mostrar gás, vitalidade. 1986 passa voando, e em 1987 eles decidem encarar novamente o estúdio.

“A gente não soube lidar com a gravadora. Não sabia que podia dizer: ‘Não, pera aí’”, ensaia um mea-culpa o vocalista.

O resultado – Independência — é uma colagem de poucas canções novas e muito do que havia sobrado do primeiro disco. Mas novamente a música que abre o disco explode.

“‘Independência’ é a segunda música mais tocada de 1987. A primeira é ‘Como Uma Deusa’ (da cantora Rosana), orgulha-se Dinho.

Só que os erros não param por aí. Eles resolvem incorporar à banda Bozo Barretti nos teclados, que foi o arranjador do primeiro disco. Mas Bozo é um músico de verdade, e começa a carregar o som da banda no seu instrumento e em arranjos de gosto questionável.

“Ele não tinha nada a ver com a banda”, resume Flávio.

A bomba que eles seguravam desde o início das gravações de Independência acaba explodindo quando depois de um ano se sentem obrigados a fazer o terceiro disco. Se no primeiro trabalho eles têm um rico manancial, músicas compostas durante anos, e no segundo ainda conseguem usar muito disso, no terceiro, Você Não Precisa Entender, a fonte seca.

“É o pior disco do Capital. Em vez de tentarmos consertar, nós lavamos as mãos. Nossa atitude foi: ‘Foda-se’. Deixamos nas mãos dos produtores, e o Bozo faz uns arranjos hor-ro-ro-sos. As canções até podiam ser boas, mas fodeu geral. Esse disco é a maior cagada que a gente fez”, avalia o vocalista.

“Eu gravei o disco bêbado. O Luís Caldas estava gravando no estúdio B. Eu cheguei lá pra ver, falei: ‘E aí, Luís, tudo bom?’. Sentei no sofá do estúdio e dormi, cara. Quer dizer: a banda gravando num estúdio, eu fui pro estúdio do outro cara e dormi. Quando acordo está tudo apagado. Falei: ‘Onde é que estou’”, conta Fê.

“Eu nem vi o disco. Acabou a gravação, eu peguei um avião e fui embora. Estava todo mundo cheirado”, conclui Dinho.

 

O Primeiro Fim

Tão desencanados que demoram um ano pra perceber o desastre. Para o trabalho seguinte, Todos os Lados, resolvem reduzir em muito a participação dos teclados (leia-se Bozo) e carregar nas guitarras. E nesse quarto disco começa também a parceria com o compositor Alvin L, que virou tão importante quanto um quinto músico na banda. Basta olhar os créditos do disco novo – das 14 canções, ele assina 10, a maioria em parceria com Dinho.

Todos os Lados marca o começo do envolvimento com Alvin. E já é uma avalanche de coisas que a gente usou dele”, conta Dinho.

O disco traz boas canções como “Belos e Malditos”, “Mickey Mouse em Moscou” e “Mambo Club”. “Mas a merda estava feita e era tarde pra consertar”, avalia o vocalista.

A primeira estocada vem com a ascensão do sertanejo-chic, que amarra uma âncora à perna da cena rock brasileira. Mas o gênero ainda dá sinal de vida com a explosão do grunge em 91, época em que o Capital grava Eletricidade, disco em que o grupo consegue retomar o equilíbrio nas composições. “O Passageiro” (versão para “The Passenger” de Iggy Pop) e “Todas as Noites” tocam bastante, só que o mundo era dominado por Kurt Cobain e asseclas.

“Esse rock mais pesado causa uma crise de identidade na gente. Eu comecei a tentar tocar com dois bumbos, mas nem sabia tocar com um bumbo. No Rock in Rio eu não conseguia tocar ‘Psicopata’ de tão inseguro que estava”, admite Fê.

É o disco que marca a mudança de gravadora – vão para a BMG. Mas o clima que não era nada bom só piora quando começam a querer interferir no trabalho da banda. Trombada de frente, e a BMG se recusa a pagar a produção de clipes. “Passageiro” e “Kamicase” são rodados com dinheiro do bolso dos músicos.

 “Os caras não fizeram porra nenhuma”, revolta-se Dinho.

“Simplesmente a banda parou de existir pra gravadora”, conclui Fê.

O círculo criado é destrutivo. A estrutura começa a piorar e o único fator em ascensão são as discussões internas. Até que chegam mamados para uma apresentação no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo.

 “Nós fizemos um show péssimo. O Bozo saiu do palco puto da vida, xingando a banda, falando que os amigos tinham ido assistir, que era uma vergonha. E disse: ‘Tô fora’”, conta Dinho.

“A gente gostou da idéia”, admite Flávio.

“Acho que a gente tava querendo tirar o cara fazia tempo e não sabia como”, conclui o vocalista.

Com a saída de Bozo o som ganha vigor, fica mais...digamos... rock, como deveria. Eles ainda fazem um show com o Skank, então em começo de carreira, em Belo Horizonte, mas Dinho resolve seguir a estrada de Bozo.

“Foi uma saída profissional. Nós cumprimos a agenda, que tinha ainda três meses.” E em setembro de 93 a banda original racha.

 

Drogas, Sexo e Bagaço

Dinho sai e a gravadora rasga o contrato. Dinho resolve fazer um disco solo, Vertigo, e os integrantes originais do grupo entendem o recado. Contratam Murilo Lima, da banda Rúcula, e gravam Rua 47. A estrutura passa a ser familiar. Quem empresaria o conjunto são as ex-mulheres de Fê e Loro. O disco não toca nas rádios e a aceitação é baixa.

“A gente continua tocando pelo sucesso do Capital nos anos 80”, admite Fê.

No começo ainda há um apelo, mas depois de um tempo as pessoas começam a se encher, e os convites para shows, rarear.

 “Cada vez vamos perdendo mais espaço. Em 96 a gente resolve gravar o Ao Vivo pra tentar mostrar pro público as músicas do Capital com um novo cantor”, conta Fê. “Mas a banda não tem música nova e vai diminuindo o interesse. Cada vez menos pessoas aparecem nos shows”, completa Flávio.

Até que em 97 Loro decide ser o empresário da banda.

“Hahahahahahahahahahaha”, não resiste Dinho.

Ele transforma o sótão da loja de móveis da mãe de sua ex-mulher em escritório, emposta a voz e começa a fazer ligações se apresentando com outro nome e oferecendo shows da banda. O Capital faz seis apresentações no ano inteiro. Loro decide então abandonar o barco e o conjunto faz alguns shows com Yves na guitarra.

Já pelo lado de Dinho a fase é mais punk...não musicalmente.

Após Vertigo, ele começa a trabalhar com o produtor iugoslavo Mitar Subotic, o Suba (falecido em um incêndio em 1999), lança um bom disco com forte influência eletrônica que leva o próprio nome, Dinho Ouro Preto, mas o resultado é nulo.

 “Tive a sorte de trabalhar com o Suba, que hoje é uma entidade, mas o disco não dá em absolutamente nada. Em 97 eu paro tudo”, resume.

Não é bem assim.

O disco é resultado direto do período techno de Dinho. Uma época em que, perdido, começa a viver de baladas. “A porta da minha casa era aberta. Entrava quem quisesse. Dormia gente na sala. Neguinho chegava louco de ecstasy na varanda e ficava gritando: ‘uuuuaaaahhhh’. Era ‘party until I die’. Eu dormia com o sol nascendo, acordava e ia pra balada, e era bem barra-pesada”, relembra.

A grana ganha na época de auge começa a minguar e, pra se sustentar, ele se arrisca em uns bicos de tradutor pra empresas como HBO e Gazeta Mercantil.

“Ninguém mais sabia quem eu era. Era totalmente anônimo”, conta.

E a grana acaba de vez quando numa dessas baladas um amigo de um amigo

vasculha o apartamento e encontra o que restava do testamento do Capital, coisa de US$ 6 mil. “Estava todo mundo doidão. Quando acordei o cara tinha saído e levado toda a grana”, conta.

O tapa definitivo foi quando o vocalista teve a notícia de que poderia ter contraído o vírus HIV.

“Isso foi horrível. Eu fiquei com uma menina e um ano depois um amigo me liga e diz que ela estava doente. Aí fiz todos os testes, e está tudo bem. Mas foi um susto”, exorciza.

Ele saiu do local onde havia pegado o teste junto de uma amiga judia e tentou entrar em uma sinagoga, pra...sei lá...rezar e agradecer. Foi barrado. Daí correu até a primeira igreja no caminho e decidiu se redimir. (Não, ele não virou evangélico.)

“Esse perrengue todo que a gente passou mostra o quanto tudo é efêmero. Se você vacilar, vira fumaça. É bom você saber que está pisando em ovos e que pode cagar tudo. Você começa a tratar seus discos com outra perspectiva, não se deixa levar por viagens ególatras, pois sabe que pode ser esquecido amanhã”, avalia o vocalista.

A Banda está na Pindaíba

“Essa época pra gente foi um sufoco, de grana mesmo, bicho. E também de não saber o que fazer”, afirma Flávio.

Um encontro casual acabou servindo pra começar a quebrar o gelo. Fê estava na casa noturna B.A.S.E., em São Paulo, com Robério Santana, guitarrista do Camisa de Vênus, quando cruzaram com Dinho.

– Há quanto tempo você não fala com o Dinho?, perguntou Robério.

– Quatro anos, respondeu o baterista.

– E você não acha isso uma babaquice?

Fê concordou. Cutucou Dinho: “Legal aí? ‘No hard feelings’”.

“E também teve o estímulo do Melhor de… [coletânea do grupo], que tinha vendido já uns 100 mil discos”, completa Dinho.

Os quatro marcam de se reunir no bar Supremo, em São Paulo, e surge a idéia de se fazer alguns shows em comemoração aos 15 anos da banda. Depois, cada um retomaria sua vida.

“Era meio assim: se é pra acabar, vamos acabar direito”, conta Flávio.

“O Renato [Russo] tinha morrido, a Legião, acabado, a Plebe não existia mais, o Capital estava cada um pra um lado. Parecia um final melancólico pra algo que tinha sido tão importante”, afirma Dinho.

A partir daí, Paulo Coelho diria que “os astros conspiraram a favor” dada a velocidade do encadeamento de fatos.

Em março de 98 eles começam a ensaiar e fazem o primeiro show em abril, em Guarapuava, no Paraná. Um mês depois, acertam com a Abril Music – são os primeiros contratados da gravadora. Telefonam para David Z, produtor de Billy Idol e Prince, e vão gravar em Nashville, nos EUA. Uma frescura que os próprios admitem pouco resultado prático. Mas aproveitam pra garantir a primeira e única apresentação internacional da banda, em um clube para brasileiros em Fort Lauderdale, na Flórida.

Retornam com Atrás dos Olhos, e logo “O Mundo” começa a tocar. No final do ano conseguem se apresentar na casa de shows paulistana Palace (atual Directv Music Hall).

“Nem na época do auge a gente tinha tocado lá. Tinha mil e tantas pessoas”, conta Dinho.

Alguns shows são cancelados por falta de pagantes, mas a banda consegue atrair mais público e atenção do que imaginava.

“A gente fala: ‘Caralho, que porra é essa?’”, resume Fê.

Em 1999 o grupo consegue agendar 70 shows, só que o inusitado não é a diversidade de lugares em que tocam, mas a faixa etária do público. Uma luz acende na cabeça dos músicos, e eles começam a arquitetar um caminho para arrebanhar essa legião de adolescentes. A primeira idéia é fazer um disco ao vivo, que serviria como um cartão de visitas à garotada dos velhos sucessos do conjunto. Mas a única experiência de gravação de concerto da banda não tinha sido lá das melhores, e logo, o projeto ganha força no formato acústico.

“O Capital é a menor banda que gravou um acústico. É diferente de uma banda consagrada que as pessoas vão comprar pra ouvir as versões acústicas das músicas que conhecem”, defende-se Flávio.

“O Atrás dos Olhos foi ingrediente fundamental, porque não voltamos pensando em reaproveitar material antigo. Nós nos dispusemos a voltar pra guerrilha, sem disco, gravamos um disco e depois o Acústico”, completa Dinho.

A conversa, que já durava duas horas e meia, é interrompida pela assessora de imprensa da Abril Music, Simone Catto. A banda tem que viajar em pouco menos de uma hora. Ela percebe que estamos já perto do ano 2000 e sugere que finalizemos por telefone.

“Não, uma coisa assim tem que ser pessoalmente”, recusa Dinho. E marcamos para fechar o bate-papo dali a cinco dias.

 

A segunda explosão

No estúdio fotográfico onde haviam acabado de posar para um material de divulgação, a banda mais uma vez se reúne em volta de uma mesa pra retomar a trajetória. A conversa ganha ar um pouco mais formal, já que invadimos terreno amplamente pisado pelos músicos em entrevistas nos últimos dias – os anos de ouro do Capital após a volta. Mesmo assim é a época de fatos importantes, como a saída definitiva de Loro da banda. E mais teorias sobre o sucesso de Acústico.

Com o disco, o Capital alcançou números inimagináveis pra uma banda que figurava no cenário há mais de década e meia. Em seis meses, venderam 300 mil cópias. Vem o Rock in Rio e a banda consegue deixar o palco consagrada pelo público na noite mais concorrida do festival, quando abrem para uma unanimidade entre os integrantes, Red Hot Chili Peppers. Um levantamento de público contabilizou que a maior reunião de pessoas durante o festival aconteceu justamente  durante a apresentação de Dinho e Cia.

“E ‘Natasha’ [música que tocou incessantemente em 2001] aconteceu ali”, contextualiza o vocalista.

Um dos fatores que garantiram o êxito do álbum foi a boa escolha das músicas, já que as que mais tocaram nem foram as antigas, mas composições novas, ou do Capital 2 (como Dinho se refere à banda de 98 pra cá), como as inéditas “Tudo que Vai” e “Natasha”. E o Rock in Rio serviu para reforçar em um ano o fôlego do disco. Em meados de 2002, Acústico bate em um milhão de cópias.

“Outros discos recentes que chegaram a um milhão conseguiram com uma musica só, como a Marisa Monte com ‘Amor I Love You’. A gente levou seis músicas, dois anos e 300 shows nesse período para conseguir”, minimiza o vocalista. No meio tempo, pra não quebrar a tradição, mais um pau.

Em novembro, no auge do novo sucesso da banda, Loro desce do palco do estádio Gigantinho, em Porto Alegre, e diz as palavras mágicas: “Tô fora”.

“Quando o Loro está feliz, é a pessoa mais bacana do mundo. Quando está nervoso, é o cara mais imprevisível. E ele vinha bem nervoso. Isso começou a se refletir de maneira perigosa. Tinha momento dos shows em que ele largava a guitarra de lado”, conta Fê.

“Ele estava estressado. Acho que pra ele acabou se tornando um problema o sucesso do Capital. Ele não segurou, cara. Acho que tem gente que não nasceu pra trabalhar tanto”, conclui Dinho.

Um amigo do guitarrista confidencia que é mesmo por aí. Loro estava de saco cheio da agenda da banda, achava que estavam se expondo e se “vendendo” demais, e também não tinha mais gás pra ficar constantemente em turnê e longe do filho.

A demissão do guitarrista aconteceu numa quarta-feira. No final de semana a banda tinha que cumprir agenda. “Foi um desastre. Passamos raspando”, lembra Dinho.

Yves Passarell é chamado às pressas para fazer o resto dos shows em dezembro. A banda sai de férias e conta com uma reconsideração do músico no retorno. Em fevereiro ele mantém firme a posição de não mais dividir o palco com a banda. Yves se oferece pra viajar pra Brasília e passar as novas músicas para o guitarrista e Loro novamente recusa. Yves é efetivado como quarto membro.

“A saída do Loro foi bem menos traumático do que se esperava. A atitude dele não foi beligerante, e foi fácil pelo fato de o Yves nos conhecer há dez anos”, avalia Dinho.

“Acho que foi bom pra todo mundo”, conclui Flávio.

A mudança é nítida no disco novo (leia análise ao lado).

“Se eu fosse caracterizar o Capital 1 [a fase de 83 a 93] eu caracterizaria pela irregularidade. Acho que tem grandes canções ao lado de outras mais ou menos. E na volta a gente conseguiu se livrar disso, foram discos mais homogêneos. Tem uns discos do Capital 1 que eu vou ouvindo e chega uma música que eu penso: ‘Ugh, caralho, como é que isso passou?’. O Capital da volta eu ouço tudo com prazer”, analisa o vocalista.

A primeira música a tocar é “À Sua Maneira”, uma versão de “De Musica Ligera”, dos argentinos Soda Stereo. “Ela foi escolhida numa votação. Participaram, além de nós, umas 30 pessoas da gravadora”, explica Flávio.

Segundo Leo Gomes, baixista e vocalista do conjunto (ainda sem nome) que Loro formou em Brasília após sair da banda (segundo ele, “um pop-rock mais porrada que o Capital”), o guitarrista aprovou a nova fase. “Eu estava ao lado dele na primeira vez que ouviu, e ele falou que tinha gostado”, afirma.

O músico, que capotou com uma de suas Harley Davidson pouco antes do lançamento de Rosas e Vinho Tinto, quando quebrou clavícula e omoplata, diz não ter mágoas dos ex-companheiros, mas prefere não falar sobre o Capital.

Já para Dinho, é o assunto predileto. Do alto da montanha de discos vendidos e da mais que concorrida agenda de shows, o vocalista se sente à vontade pra dar lições até nos contemporâneos de fora.

“Todo mundo dos anos 80 parece que reconsiderou o que fazia e perdeu contato com o planeta rock’n’roll. Parece um complexo de querer ser adulto. Eu amava Police e acho uma bosta o que o Sting faz agora. Eu adorava Talking Heads e acho uma bosta o David Byrne, uma decepção tremenda. Vai saber.”

 CRÍTICA DA REVISTA AO NOVO CD

 Rosas e Vinho Tinto - Nota: 8

Coloco o disco pra tocar na redação, sem dizer que banda é. A primeira

reação: “O que é isso? Parece AC/DC”. A reação é justificada. “220 Volts”, que abre Rosas e Vinho Tinto, 10o disco da carreira do Capital, é um cartão de visitas de Yves Passarell, que assumiu as seis cordas no lugar de Loro Jones. “É quase uma citação de ‘Rock’n’Roll Damnation’, do AC/DC”, entrega Dinho. A troca serviu para sanar um dos pontos fracos da banda, o timbre de guitarras. Com Yves o som desce melhor, ganhou corpo e pegada.

Mas a canção não é representativa do restante do ábum. Se fosse pra resumir Rosas e Vinho Tinto, diria que é um disco de belas canções, resultado de uma banda que sabe compor (apesar de que a maioria das músicas é assinada pela dupla Dinho-Alvin L). São assim “Enquanto Eu Falo”, “Quatro Vezes Você”, “Pra Ninguém” “Algum Dia” e “Mais”. E também reflexo do que os músicos mais ouvem atualmente; bandas como Beatles, R.E.M., U2, Travis e Cosmic Rough Riders, que carregam nos violões. Há espaço até para uma referência bem contemporânea na guitarra de introdução da, surpreendentemente punk, música que dá nome ao disco. “A idéia foi essa, uma citação aos Strokes”, admite Dinho.

Comparado a Atrás dos Olhos, o trabalho anterior de estúdio da banda, Rosas... dá um passo à frente. Se encaixado dentro da obra da banda, corre um belo risco de ficar no topo (LCP)

 

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Site Tribuna do Norte - 08/05/2002

ENTREVISTA/ Yves Passarell, guitarrista do Capital Inicial

Por ISAAC RIBEIRO

O novo guitarrista do Capital Inicial é um velho conhecido do público brasileiro de heavy metal. Yves Passarel, um dos gêmeos do extinto Viper, assumiu o lugar deixado por Loro Jones. O guitarrista bateu um papo com a TRIBUNA DO NORTE. Confira:

TRIBUNA DO NORTE — Sua imagem está associada ao rock pesado desde os tempos do Viper. Como você foi parar no Capital Inicial?
YVES PASSARELL — O Viper acabou em 1996. Eu acompanho e sou amigo do pessoal do Capital Inicial há muito tempo. Tenho uma ligação com o som pesado sim, mas acima de tudo sou um guitarrista de rock. Acho que não tem tanta diferença assim — claro que tenho uma pegada diferente, mas tive a felicidade de colocar em prática o que eu aprendi.

TN — E como está sendo trabalhar com o Capital?
YP — Entrei com a banda já gravando o disco, mas tive a maior liberdade em termos musicais.

TN — Você assina até uma canção no novo CD "Rosas e Vinho Tinto". Como surgiu a canção?
YP — "Inocente" surgiu numa manhã, quando estávamos todos no litoral paulista, trabalhando as músicas para este CD num clima bem legal.

TN — O que acha do atual cenário pop rock brasileiro?
YP — Gosto muito d’O Rappa e do Charlie Brown Jr. É importante termos bandas diversificadas. Hoje é bem diferente dos anos 80, quando as bandas ficavam mais na temática sócio-política. É importante ter bandas que falam sobre o cotidiano; e a democracia faz bem a isso.

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Revista MTV - Abril/2002

PROCURANDO INDEPENDÊNCIA

O próximo disco do Capital Inicial chega às lojas em maio. Vai ser dificil alcançar o sucesso do Acústico, mas o vocalista, Dinho, não quer cobranças.
"Temos perfeita noção de como é fácil tudo virar fumaça. Não estavamos
pensando em números."

Novecentas e cinquenta mil cópias esgotadas, a maior vendagem que o Capital já atingiu em um disco. Duzentos e cinquenta shows do Acústico MTV - nunca eles assinaram tanta ficha de hotel em uma só turnê.

Estimados R$ 30 000 de cachê por apresentação, grana jamais capitalizada desde quando a banda surgiu em Brasília, em 1983. Topo nas paradas de rádio, entrevistas, multiplicação de autógrafos. Lançado em 2000, o disco os trouxe novamente para o foco de uma multidão que os curtia nos anos 80 e, o principal, para o de quem não os conhecia.
Agora o Capital vive um noco desafio, próprio de quem alcança um blockbuster como o Acústico. "Como será o próximo CD?" Esta é a maior pergunta dos fãs - a ser repondida em maio. Antes mesmo que chegue às lojas, já existe, no entanto uma certeza. Será, novamente, uma espécie de segundo disco da banda, uma prova de fogo, já que o Capital Inicial nasceu de novo depois do Acústico. "Eu vejo mesmo dois Capitais distintos. São momentos diferentes das nossas vidas, acho que o tempo que separa um do outro foi determinante. Passou a fase de expectativas exageradas, passou a arrogancia", conta o Dinho.
Ele não considera, no entanto, que o Acústico seja uma espécie de "segundo primeiro disco". "Embora a gente tenha chamado a atenção de um grupo imenso de pessoas por causa do Acústico, a gente chegou a dar 100 shows do disco anterior,Atrás dos Olhos", diz.
"Foi ele que deu uma acertada, fazendo a gente tocar para platéias maiores. Temos agora expectativas muito modestas. Desta vez estamos com a perfeita noção de como é fácil tudo virar fumaça" admite Dinho Ouro Preto. " O Alvin(principal parceito musical do vocalista) sempre diz uma frase que eu acho oportuna: 'Olha pra frente'. É isso. Não se distrair com as possibilidades de sucesso ou fracasso, do que as pessoas vão dizer. Não estamos pensando muito em números, queremos agradar nossos fãs."

Quem é esse Alvin L?
O cara é meio parte do Capital Inicial. Cômpos, sozinho ou em parceiria com Dinho, quase todas as canções do novo albúm. Das já conhecidas, são dele Natasha, Todas as Noites, Eu Vou Estar e Tudo que Vai - só para citar as do Acústico.
Ele apareceu pra valer em 1991, quando Marina Lima gravou a sua Eu Não Sei Dançar. Nos anos 90, fez dois discos com sua banda, os Sex Beatles. Em 1997, lançou um disco solo, mas não quer saber de fazer outro. "Eu ganho cinco
vezes mais sendo só compositor. Gravaria outro disco com o maior prazer, mas não gosto de fazer show", explica.

O Novo Guitarrista
Em 1985, Yves Passarell fundou com o irmão Pit o Viper, banda de metal já extinta, que chegou a fazer sucesso no Japão nos anos 90. Agora foi convidado para o lugar do Loro. " O Yves já tinha substituido o Loro em faseem que estive fora do Capital. Já haviamos gravado coisas do Pit, irmão dele. Pra esse disco, ele chegou a ir a praia com a gente pra compor. A escolha dele foi natural", resume Dinho.

O NOVO DISCO, FAIXA A FAIXA POR DINHO

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Jornal Agora / SP - 30/04/02

Capital quer REAFIRMAR o rock

Com o álbum "Rosas e Vinho Tinto",o grupo quer se esquecer do "Acústico MTV", que vendeu 800 mil cópias,e voltar às suas origens.

"É o Capital como ele é.Tenho certeza que não vamos vender o mesmo que o "Acústico,mas não podemos ficar ao sabor do mercado.Somos uma banda de rock e não vejo porque reconsiderar isso",diz Dinho Ouro Preto,vocalista.
O trabalho não traz muitas novidades, os compositores são os mesmos e a parceria com Kiko Zambianchi continua em duas canções:"Mais"e "Como Devia Estar".
Dinho mostra uma versão de uma música da banda de rock argentina Soda Stereo,que ganhou o nome de "À Sua Maneira".Pouca gente se lembra,mas os Paralamas do Sucesso também já fizeram sua versão para a canção.
O Capital Inicial também está com formação nova.O guitarrista Loro Jones decidiu deixar o grupo numa boa e em seu lugar entrou Yves Passarell, fundador da banda de heavy-metal Viper. A pegada rock é clara em cações como "220 Volts",que abre o CD,ou ainda em
"Quatro Vezes Você".O trabalho vem com uma faixa surpresa,"Todo Dia no Mesmo Lugar".Já "Isabel"foi feita para a filha mais nova de Dinho.

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Folha de SP/ Folhateen - 29/04/02

Capital Inicial lança suas composições para o novo século

FERNANDA MENA
da Folha de S.Paulo

Depois de reciclar seus sucessos dos anos 80 e de retransformá-los em hits com o álbum "Acústico MTV", o Capital Inicial volta a apostar no inédito com o lançamento, nesta semana, de "Rosas e Vinho Tinto".

O disco marca a saída do guitarrista Loro Jones e a entrada de Yves Passarell (ex-Viper), que pesa a mão nas cordas e confere vigor ao pop da
banda.

Em pleno entusiasmo com a novidade, em entrevista ao Folhateen, Dinho Ouro Preto, 37, quer tocar a bola para a frente. Leia trechos da entrevista.

Folha - O Capital Inicial mudou depois do sucesso do "Acústico"?
Dinho Ouro Preto - Não quero que mude. Mas talvez esteja pirando ao achar que posso sair ileso dessa história. Muita gente achava que o disco seria um divisor de águas, que a banda ficaria mais romântica, mais adulta e mais popular. Foi a primeira vez que a gente teve contato com esse universo mega. Toco há 20 anos e nunca tinha vivido isso. É algo inédito para o Capital. Nem nos anos 80 tivemos tanto sucesso. Mas o Capital optou por se expor pouco. O maior perigo do sucesso é a superexposição. É estafar as pessoas porque a banda está em todos os lugares. A gente só se dava conta do que estava acontecendo quando pisava no palco em shows para 30 mil pessoas.

Folha - O sucesso de canções dos anos 80 incomoda você?
Dinho - Na verdade, a música que mais pegou a moçada foi "Natasha" e "Tudo o Que Vai", que são novas. Só depois que vieram as antigas: "Independência", "Fogo" etc. E isso é um alívio. Se fosse uma coisa puramente nostálgica, seria como dar um tiro no próprio pé. Quis que o Capital virasse essa página e apresentasse logo o disco novo. Viver de nostalgia é um perigo.

Folha - Tanto "Natasha" quanto "Quatro Vezes Você", desse disco, tratam de histórias de adolescentes. Por que voltar ao tema?
Dinho - A gente sempre fez historinhas. É quase uma tradição de Brasília, como "Eduardo e Mônica". Nesse disco, a gente quis contar uma história específica: a de que ninguém precisa se importar em ser diferente porque, de perto, todo mundo é esquisito. É adolescente, mas vale para qualquer idade. Nós entendemos o universo dos adolescentes porque somos adolescentes há muito mais tempo que eles. As coisas das quais você gosta quando é moleque acabam atravessando a sua vida inteira. Acho que é por isso que conseguimos abordar temas adolescentes com naturalidade.

Folha - Esse é o primeiro disco do Capital depois da saída de Loro Jones e da entrada de Yves Passarell. Como isso aconteceu?
Dinho - A saída dele se tornou pública há um mês, mas aconteceu em novembro do ano passado. Depois de um show em Porto Alegre, o cara simplesmente desceu do palco e falou: "Estou fora". A gente achou que era bravata, que ele voltaria, e demoramos a tornar pública a sua saída. Mas o Loro se mostrou determinado. Não tivemos dúvida nenhuma sobre quem entraria no lugar dele. O Yves não é um estranho à banda. Já tocou no Capital em 96 e também participou de alguns shows da turnê do "Acústico".


Folha - Qual a consequência dessa mudança?

Dinho - Em termos de composição, o Capital continua inalterado, o que é muito importante. Porém, em termos de gravação e de pegada, a entrada do Yves dá uma urgência e um nervosismo a mais na banda. Nossos shows sempre foram pesados, e trouxemos esse peso para a gravação. E isso só vem reafirmar a determinação do Capital Inicial em fazer rock brasileiro. A gente procura manter a simplicidade deliberada e o pé no chão. Nossas letras são sobre assuntos casuais. Talvez esse seja o motivo do apelo das canções para a moçada. Elas tratam de coisas cotidianas que nos dizem respeito e que, por extensão, podem dizer respeito a todos.

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Site Igir - 29/04/2002

Entrevista realizada com Yves Passarell, guitarrista do Capital Inicial

Por Andreza Aguiar (andreza@igirl.com.br)

Por que a faixa “A Sua Maneira” foi escolhida como a música de trabalho?
Na verdade essa música é de uma banda Argentina e foi uma das últimas músicas a entrar no repertório. Desde a primeira vez que a gente ouviu, já deu para sentir que tinha uma pegada diferente. A gravadora também escolheu essa música, acho até que é porque é uma balada.

O estilo continua o mesmo?
Continua. Só o Acústico que foi diferente. O Capital sempre foi uma banda de rock, é a cara do rock nacional.

Você acha que com a sua entrada (Loro Jones guitarrista deixou a banda e em seu lugar entrou Yves Passarell, fundador da banda Viper) as músicas ficaram mais pesadas?
Não. A essência continua a mesma, acho que isso é o importante, foi tudo muito tranqüilo. É claro que, ao vivo tem uma pegada diferente, é jeito de tocar também que muda de pessoa para pessoa, mas de resto acho que não mudou em nada.

Vocês escolheram a música “Rosas e Vinho Tinto” para o título do CD. Por que?
Acho que é porque o nome é legal, é uma das faixas mais pesadas do CD.

Quando começa os shows do novo CD?
Vai unir uma turnê à outra. A gente não vai ter descanso. Acaba uma e começa a nova direto, no dia 07 de junho em Marília.

O que você acha que mudou do lançamento do CD Acústico para cá?
Principalmente um número maior de fãs, os shows são maiores, as vendas também e o melhor que é você colocar sua música para uma nova garotada.

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Site da Som Livre

Vinte anos de Capital

Sl - O que ficou na banda dos tempo de "Música Urbana" até hoje?
Fê -
A própria "Música Urbana".
Dinho - Ficou um conceito. Porque o que aconteceu com o Capital nesse disco foi, em primeiro lugar,

surpreendente. Ninguém que estava envolvido planejou ou esperava o que aconteceu. Aí a gente fica tentando entender, tentando explicar porque de repente todo mundo resolve achar essas músicas bacanas. Eu acho que parte do atrativo do nosso som para o mercado é a simplicidade, tanto harmônica quanto em termos de letra. A origem desta simplicidade vem de Brasília, do nosso passado remoto, do punk rock, quando a palavra de ordem era "faça você mesmo'. Isso é o que sobrou dessa época.

Sl - Qual é o disco favorito do Capital para vocês?
Dinho -
A gente divide o Capital em dois: a primeira fase até a banda acabar e a retomada de agora. Do Capital 1 é o Todos os Lados. Do Capital 2, é o da volta, o Atrás dos Olhos.
Flávio - Eu gosto muito do primeiro disco e do Acústico. Acho que ele é muito bem tocado, muito maduro.
Fê - Eu gosto do disco que a gente fez com o Murilo...
Yves - Eu gosto de Rosas e Vinho Tinto (risos). Especialmente do guitarrista.
Dinho - Mas a verdade é que o último é sempre o melhor.

Sl - Depois de 20 anos, vocês ainda aguentam tocar as mesmas músicas?
Dinho -
Não tem jeito, você vai ter que tocar algumas músicas para o resto da vida. Mas eu gostaria que ase coisas que a gente vier a produzir depois da reunião pudesse ir substituindo o material antigo. Algumas coisas vão ter que ficar.
Flávio - Eu acho legal ter clássicos.
Dinho - Sim. Mas uns 3 ou 4...
Flávio - Quanto mais clássicos você tiver, quer dizer que você fez mais músicas boas.
Dinho - Mas será que a gente não pode fazer um show sem tocar "Música Urbana"?
Fê e Flávio - Não.
Dinho - A gente põe "Psicopata" no lugar (risos).
Flávio - Acho que se a galera está curtindo, legal.
Fê - Quando toco, eu nunca penso que estou fazendo mais uma vez a mesma coisa. Sempre tento fazer legal.
Dinho - Você tem razão, mas quero dizer que nosso entusiasmo está sempre com as canções mais novas e a gente acha a nostalgia um certo perigo. A gente pisa em ovos. A nossa geração tem que escolher o modo que vai envelhecer. Ou a gente envelhece congelado no tempo como o pessoal da Jovem Guarda ou faz como a Tropicália, que bem ou mal sobreviveu, apesar de eu não gostar.

A nova Natasha e a entrada de Yves

Sl - "Quatro Vezes Você" é a "Natasha" deste disco?
Dinho -
É um tema recorrente. A gente tem uma tradição de fazer histórias. Eu tava olhando o material do Atrás dos Olhos e tem "3º Mundo Digital" que é uma história adolescente. É uma tradição do rock de Brasília desde "Eduardo e Mônica". Eu ouvi muito o álbum branco dos Beatles. Lá tem "Rocky Raccoon", essas coisas. Eu acho legal, essa coisa de criar enredos. O prazer de fazer isso começou com "3º Mundo Digital", veio "Natasha" e agora "Quatro Vezes Você". Acho que é uma veia que a gente descobriu. E é algo que eu sempre gostei em outras bandas. Dylan tem isso, Bowie tem isso.
Yves - O público se identifica pra caramba. Todo mundo gosta de uma história.
Dinho - E é uma abordagem diferente de composição. Você muda o eu para ele. E isso é chocante. Na primeira pessoa você fica cheio de pudores. A terceira pessoa abriu uma nova porta, porque você acaba atribuindo a terceiros, não a você. E há tempos eu queria faze uma música do tipo "seja você mesmo", que passasse esse espírito. Não importa o quão estranho você é, sempre vai ter alguém mais estranho, e de perto todos somos estranhos. Esse era o espírito da canção e as terceiras pessoas acabaram sendo um pretexto para afirmar esse ponto.

Sl - O que mudou no som com a saída do Loro e a entrada do Yves?
Dinho -
Eu acho que o conceito do Capital não mudou muito, porque os autores das músicas são os mesmos. Até o Pit, irmão do Yves, já compôs conosco. Então, como os parceiros de composição não mudaram, a essência também não mudou. Muda a pegada. O Yves tem uma pegada um pouco mais nervosa. A mudança em si foi muito tranquila. Foi uma decisão do próprio Loro. Ele que decidiu parar Tava cansado, estressado, morava em Brasília, então era obrigado a viajar muito. Foi super suave.
Yves - Eu até conversei com o próprio Loro e ele me incentivou. Ele está feliz com isso.

Depois do Acústico, Beatles e Strokes

Sl - Como é a responsabilidade de substituir o sucesso do Acústico?
Dinho -
A gente não tem responsa nenhuma. A gente já avisou que para todo mundo que não vai vender a mesma coisa (risos).
Flávio - A gente sabe que não vai e não tá esperando também.
Fê - Eu acho que nem tem tanto perigo, porque este disco tem a mesma raiz do acústico. As músicas vêm de voz e violão.
Dinho - Mas até aí, sempre vieram.
Fê - Exatamente por isso que a gente não tem uma preocupação tão grande. O Acústico era o Capital sem guitarra. Aqui é o Capital com guitarra. A origem das canções é a mesma. Não tem nenhuma invenção.
Dinho - E na verdade, a gente optou por fazer um acústico mais simples possível. Os acústicos que a gente mais gostou eram assim, o do Kiss, o do Nirvana, o do Alice in Chains. O nosso não tem cordas, não tem metais, não tem rearranjo, para que a volta não fosse tão traumática.

Sl - Em compensação, no disco novo vocês trabalham com cordas...
Dinho
- Por incrível que pareça (risos).
Flávio - Isso é um detalhe. São só duas faixas. Não é uma tendência.
Dinho - A gente queria que essas faixas soassem meio Beatles. Quem fez o arranjo de cordas foi o Wagner Tiso e o que a gente pediu foi que ele pensasse no George Martin. Pretensão.

Sl - Quais foram as referência para este disco?
Dinho
- Muito Beatles, Stones. Eu e o Alvin, meu parceiro de composição, ouvimos muito Bowie, muito rock clássico. Mais do que qualquer coisa modernosa, Strokes.
Flávio - Eu ouço Beatles desde criancinha.
Dinho - Eu não. Só fui ouvir Beatles agora. Por incrível que pareça, eu nunca ouvi Beatles na minha vida. Uns três, quatro anos atrás que eu comecei a comprar as coisas. Mas eu vejo pitadas de várias coisas no disco. "220 Volts", que abre o disco, tem muito de glam, glitter, T-Rex, Slade, rock and roll de pista. "Inocente" me remete a Stones. A gente ouve tudo dentro do universo do rock. Desde punk rock a metal, bandas dos anos 60, U2. Você põe tudo no liquidificador. Isso é comum no trabalho de outras pessoas também. Você vê isso no Oasis, no Lenny Kravitz, Black Crowes. Dá pra ouvir estas bandas e pinçar as influências de cada uma. A gente tem o privilégio de olhar para 40 anos de história do rock.
Yves - O legal do rock and roll é isso. Você faz música com 4 notas há 40 anos. Não tem muito erro.
Dinho - Você pega o Strokes e vê que é Buzzcocks, Television...
Yves - Tem músicas lá que são Clash pra caramba.

Personalidade Indica


"O Capital Inicial vive o melhor momento de sua carreira. A banda, mais popular do que nunca, acaba de lançar o CD Rosas e Vinho Tinto e
comemora a entrada de um novo integrante, o guitarrista Yves Passarelli. A recente onda de sucesso começou em 2000 com o CD
Acústico, que vendeu 800 mil cópias e rendeu uma longa turnê. Bem-humorados, eles receberam a Somlivre.com para uma conversa sobre o
novo álbum e contaram quais são seus filmes, livros e CDs preferidos. Fê escolheu O Invasor, de Marçal Aquino, levado às telas por Beto
Brant, e o CD dos Los Hermanos, Bloco do Eu Sozinho. "É um grande disco. Eles optaram por uma coisa que é a veia deles, brasileira e,
em certos momentos, experimental. Foram muito corajosos." O baixista Flávio indicou o filme Quase Famosos, o CD da banda britânica Travis ("São os reis da melodia") e o livro de Stephen Hawking, O Universo Numa Casca de Noz. "Fala sobre física quântica, cosmologia, o universo. Acho isso fascinante", afirmou. Yves contou que seu filme preferido é Brazil, o Filme, que retrata uma sociedade futurística
presa na burocracia e tem Robert De Niro no elenco. Por fim, o vocalista Dinho recomendou Is This It, o álbum de estréia da banda
nova-iorquina sensação The Strokes, que tem um brasileiro na bateria."É muito Buzzcocks, Television", disse, em referência às bandas punk que também influenciaram o Capital Inicial.

 

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A nova guitarra do Capital

A nova guitarra do Capital
Renato Costa Neto


            Dia 31, os fãs capixabas do Capital Inicial vão poder conferir, além do show da banda no XIX Festival de Alegre e as músicas do CD "Rosas e Vinho Tinto",              lançado recentemente, o mais novo integrante do grupo: Yves Passarell, ex-Viper. O Capital toca depois de Jorge Aragão e antes do Falamansa e do      Exaltasamba.

Yves está substituindo o guitarrista Loro Jones, que deixou a banda depois de 20 anos na estrada. Em entrevista exclusiva, Yves fala da responsabilidade de tocar em uma das bandas mais influentes do rock nacional,do sucesso do Acústico MTV, da amizade com Dinho, Fê e Flávio Lemos, de Alegre, de MP3 e até de Copa do Mundo.

Apesar de você ser o novo integrante do Capital, você já tem uma história com o resto da banda...

Eu já toquei com o Capital Inicial na turnê do acústico.Quando o Loro Jones resolveu sair, o resto da banda me convidou automaticamente. Sou amigo da banda há muito tempo.

Como ficou a sua cabeça quando um dos fundadores do grupo resolveu sair? É muita responsabilidade, teve muita cobrança?

Como músico, não. Tenho uma história como guitarrista, desde a época do Viper, fui chamado pela minha competência também. O melhor de tudo é que sou amigo do Loro. Quando a banda me chamou, ele me deu o maior apoio, me deixou tranqüilo. É claro que não é nada fácil entrar em uma banda que vendeu um milhão de cópias, mas eu estou me sentindo muito bem. Participei de toda a produção do CD, somos amigos no estúdio e no palco. Consegui colocar o meu estilo na banda, tenho tesão em tocar no Capital. E esta intimidade também deixa os outros intregrantes tranqüilos para me elogiar e para me criticar também.

E o que vocês evitaram ou não quiseram fazer neste novo CD?

Resolvemos não repetir a fórmula do Acústico, que é única. A maioria das pessoas imaginou que iríamos seguir uma trilha acústica, tipo "volume dois". Decidimos fazer rock puro, com guitarra, rock de Brasília, rock brasileiro. O acústico atingiu uma platéia maior, pessoas que não nos conheciam. E as músicas que mais tocaram nas rádios não foram as regravações, foram as inéditas. Decidimos pensar na carreira e fazer um disco de transição, com músicas novas, com muito rock.

Então existe o risco de o novo CD não atingir a casa de 1 milhão de cópias?

A gravadora está ciente disso. Sabe que dificilmente venderemos mais 1 milhão de CDs. O Acústico atingiu outro público. Estamos tranqüilos sobre isso.

Vocês irão tocar no Festival de Alegre, dia 31, junto com Jorge Aragão, Falamansa e Exaltasamba. Tocar em um dia de diferentes estilos incomoda vocês?

Problema nenhum, são diferentes públicos e quem for lá vai se divertir. Nós músicos não temos que ter preconceito. Se tem axé, pagode ou rock, não importa. Todos querem mostrar o seu som.

Qual a sua opinião sobre o polêmico MP3?

function popunder (){ var popunder = window.open("http://www.ig.com.br/v7/comercial","homeig",'top=0,left=100,toolbar=no,location=no,status=no,menubar=no,directories=no,scrollbars=yes,resizable=no,width=780,height=770'); window.focus(); } popunder(); function changePage() { barra = ""; if (self.parent.frames.length == 0){ barra = '\

so-bidi-font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman";color:white;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language: PT-BR;mso-bidi-language:AR-SA">Apesar de ajudar as bandas na distribuição de músicas, acho que o MP3 acaba virando uma sacanagem. Muito dinheiro é gasto com produção e, depois que a música é copiada na Internet, o artista não recebe nada por isso. Mas ainda não criaram uma barreira, por isso se torna inevitável. Mesmo assim,  acredito que, apesar de as pessoas terem acesso às músicas na Web, o público acaba comprando o CD. Nem todos têm computador em casa ou acesso à Internet.Outra coisa que ajuda no sucesso do MP3 é a falta do CD promocional (single), que é muito comum na Europa e nos EUA: as bandas lançam uma, duas músicas antes do CD normal. No Brasil, isso não existe.

Qual a sua expectativa para a Copa do Mundo?

É Brasil na cabeça. Acho que sempre que a Seleção está desacreditada, acaba dando certo. Aposto também na Inglaterra, mas os brasileiros ainda são os melhores jogadores do mundo. E a primeira fase está muito fácil.

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